Foi um dia, e noite, intenso para João Lourenço, o novo Presidente de Angola. Depois da investidura, já no Palácio Presidencial, recebeu os cumprimentos de muitos dos chefes de Estado, e outros convidados, internacionais e nacionais, da cerimónia. Por momentos, e numa pequena, e simbólica, despedida do seu antecessor, José Eduardo dos Santos, veio à porta do Palácio. Regressou depois ao interior da casa para continuar a receber, ladeado pela sua esposa e pelo vice-presidente, os convidados. Ao início da noite o chefe de Estado angolano continuava a receber convidados.
De general na reserva a Presidente de Angola
Foi ao início da tarde, de ontem, que João Lourenço, general na reserva, de 63 anos, tomou posse como novo Presidente da República de Angola, e que João Eduardo dos Santos, passou a pasta, ou entregou o colar presidencial ao novo chefe de Estado.
A oposição esteve ausente da cerimónia. Esses partidos continuam a contestar os resultados indicados, pela Comissão Nacional Eleitoral, das eleições que continuam por publicar.
O processo de investidura decorreu no mesmo lugar onde José Eduardo dos Santos tomou posse, pela última vez, em 2012, o Memorial António Agostinho Neto, em Luanda, o lugar de homenagem ao primeiro chefe de Estado angolano. Cerimónia que serviu também para dar posse a Bornito de Sousa, no cargo de vice-presidente.
A assistir estavam cerca de 30 mil pessoas. O único Presidente europeu era Marcelo Rebelo de Sousa, de Portugal, acompanhado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros luso.
A presença do chefe de Estado português não foi suficiente para que os dois países colocassem de lado as questões que dos dividem. João Lourenço, no seu discurso de investidura, falou de países amigos, Portugal ficou de fora. Ainda assim, e depois da cerimónia, Marcelo Rebelo de Sousa, que segunda-feira se tinha encontrado com José Eduardo dos Santos, passava ao lado da matéria e antevia relações "muito boas", entre Lisboa e Luanda.
O Presidente de Portugal, ovacionada pelos angolanos durante a cerimónia, classificou-a “como impressionante, de longe a maior” e que foi para “Portugal”.
Os eleitos são, pela ordem do discurso, os Estados Unidos, a China, a Federação Russa, o Brasil, a Índia, o Japão, a Alemanha, bem como a Espanha, França, Itália, Reino Unido e Coreia do Sul.
A oposição esteve ausente da cerimónia. Esses partidos continuam a contestar o resultado indicados das eleições que continuam por publicar.
Portugal ficou fora do discurso de João Lourenço...
"Pela sua importância histórica e pela necessidade de continuar a cultivar os laços forjados no período da conquista e consolidação das nossas independências, a relação com os Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP) vai estar sempre presente nas nossas opções. (...)
Angola dará primazia a importantes parceiros, tais como os Estados Unidos da América, a República Popular da China, a Federação Russa, a República Federativa do Brasil, a Índia, o Japão, a Alemanha, a Espanha, a França, a Itália, o Reino Unido, a Coreia do Sul e outros parceiros não menos importantes, desde que respeitem a nossa soberania".
...mas houve outras questões que não se esqueceu de frisar. O sucessor de José Eduardo dos Santos definiu como lema do seu mandato “Renovação e transformação na continuidade, melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”.
O representante máximo do Estado angolano prometeu combater o crime económico e garantiu que a corrupção será uma "importante frente de luta" e a "ter seriamente em conta".
"A necessidade de transparência na actuação dos serviços e dos servidores públicos, bem como o combate ao crime económico e à corrupção que grassa em algumas instituições, em diferentes níveis, constitui uma importante frente de luta a ter seriamente em conta, na qual todos temos o dever de participar.
A corrupção e a impunidade têm um impacto negativo directo na capacidade do Estado e dos seus agentes executarem qualquer programa de governação. Exorto, por isso, todo o nosso povo a trabalhar em conjunto para extirpar esse mal que ameaça seriamente os alicerces da nossa sociedade".
Lourenço falou ainda na importância de apoiar os jovens:
"A dimensão da população em idade activa e a tendência de crescimento nos próximos anos impõem que a juventude esteja no centro das nossas atenções. Apostar nos jovens é apostar no nosso futuro, no progresso de Angola e na sua inserção no mundo global, cada vez mais competitivo.
Para tal é necessário investir muito seriamente na educação dos jovens e na sua formação técnico-profissional, ajustada às necessidades do mercado de trabalho e ao desenvolvimento do país. Deste modo, seremos capazes de colocar os recursos disponíveis ao serviço da Nação, garantindo a melhoria geral das condições de vida dos angolanos, numa base justa e equitativa".
As promessas estenderam-se aos meios de comunicação. Neste campo defendeu uma maior abertura através do reforço dos órgãos públicos “para que levem uma informação fidedigna a todo o território angolano”.
O chefe de Estado terá, pelo menos, cinco anos para se debruçar sobre esta e outras matérias.
Entre os presentes dos países lusófonos, e para além dos muitos representantes das várias nações e organizações africanas, estiveram os chefes de Estado de Cabo Verde, José Carlos Fonseca, de São Tomé e Príncipe, Evaristo do Espírito Santo, da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo.
Lourenço torna-se no terceiro Presidente angolano desde a independência, em novembro de 1975. A Agostinho Neto sucedeu José Eduardo dos Santos que geriu os destinos de Angola durante quase 40 anos.
João Manuel Gonçalves Lourenço é casado com a economista Ana Dias Lourenço, tem seis filhos, nascido no município do Lobito, Benguela, em cinco de Março de 1954, foi confirmado Presidente da República, a seis de Setembro, no quadro das eleições gerais de 23 de Agosto.






