A Direcção da UNITA defende a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso divulgado nos Paradise Papers, e que envolve o Fundo Soberano de Angola. De acordo com o documento, divulgado pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, este organismo terá dinheiro em paraísos fiscais, mais especificamente nas Maurícias, geridos pela Quantum Global, do suíço Jean-Claude Bastos de Morais. Este empresário é, alegadamente, sócio de José Filomeno dos Santos, filho do ex-presidente angolano, José Eduardo dos Santos, que é o responsável pelo Fundo Soberano de Angola.
Em comunicado divulgado ontem, a UNITA diz-se revoltada com o que considera ser a "forma irresponsável como o Governo do MPLA" tem tratado o Fundo "marcada por uma vergonhosa promiscuidade entre o filho do antigo Presidente da República, José Filomeno dos Santos "Zenú" e um seu amigo e sócio Jean-Claude Bastos de Morais, cujo cadastro anda maculado por crimes económicos diversos", escreve o principal partido da oposição angolana, em comunicado.
O Fundo Soberano de Angola foi criado, de facto, em 2012, com o propósito de "promover o crescimento, a prosperidade e o desenvolvimento socioeconómico em Angola", lê-se na página na internet do organismo. Para a UNITA este órgão "não existe para enriquecer ninguém, seja ele cidadão nacional ou estrangeiro".
A formação do Galo Negro pede assim ao seu Grupo Parlamentar que exija a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, para se averiguarem responsabilidades políticas e administrativas. A UNITA exige ainda que a Procuradoria-Geral da República assuma as suas responsabilidades, constitucionais e legais, na investigação e responsabilização criminal dos envolvidos neste escândalo, que considera de"actos vergonhosos".
"O lema "Corrigir o que está mal" apenas fará sentido quando houver coragem para responsabilizar os ladrões de colarinho branco, com a mesma determinação com que se detém e se condena os chamados "ladrões de galinha", uma menção ao lema do novo Presidente angolano, que tinha como mote da sua campanha "Melhorar o que está bem e corrigir o que está mal". Neste sentido, a UNITA apela ao Presidente da República que assuma o seu papel de guardião da Constituição e da Lei:
"É hora de mostrar e demonstrar que "corrigir o que tem estado mal" ao longo destes anos todos não se pode ficar apenas pelas palavras", escreve a UNITA, em tom de conclusão.






