É só no final de uma longa missiva, publicada por Isabel dos Santos, nas redes sociais que a ex-presidente do conselho de administração da Sonangol diz congratular-se "pelo desejo de progresso, transparência e eficácia na gestão do bem público".

João Lourenço fez aquilo que muitos consideravam inevitável e que outros não acreditavam que pudesse acontecer, pelo que isso representa, exonerou, há dois dias, a filha do ex-presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, que há um ano e meio geria os destinos da petrolífera estatal angolana. Uma das muitas demissões já concretizadas pelo chefe de Estado angolano em menos de dois meses de mandato. No seu lugar colocou o homem que a filha mais velha do antigo presidente demitiu, Carlos Saturnino.

Isabel dos Santos sai, mas fez questão de escrever «o que lhe vai na alma» garantido que a sua administração se pautou pelos mesmos valores que se anunciam agora, progresso, transparência e eficácia:

"Os mesmos valores mantêm-se no centro da cultura empresarial que a administração cessante implementou na Sonangol, garantindo, assim, o futuro da nossa empresa", lê-se no comunicado publicado no perfil de Facebook da empresária..

No texto, e para além de reiterar confiança na equipa que escolheu para acompanhá-la, fala daquilo que considera ter alcançado no tempo que esteve à frente do conselho de administração da Sonangol:

"Juntos, e em poucos meses, não só conseguimos reequilibrar as contas da empresa, acabar com práticas nefastas do passado, mas também implementar uma verdadeira cultura de empresa organizada em torno de valores fundamentais, tais como, o sentido de responsabilidade colectiva e individual, a excelência na execução, o respeito mútuo e o espírito de equipa".

Na missiva, Isabel dos Santos faz questão de esclarecer tudo o que foi feito durante a sua administração:

"Em Dezembro de 2015 a Sonangol, pela primeira vez na sua história, não tinha conseguido cumprir com as suas obrigações junto da Banca, tinha dividas com os fornecedores e pesadas cash calls. Em junho de 2016 a petrolífera encontrava-se num estado de emergência e conforme referia o Dr. Francisco Lemos, então Presidente do Conselho de Administração, esta empresa nacional encontrava-se numa situação de pré-falência".

Isabel dos garante, no texto, que foi conseguida, e entre outras coisas, durante o seu mandato, a redução da dívida financeira da petrolífera para menos de metade, o aumento de receitas e a diminuição do custo do barril de 14 para 7 dólares. Melhorias que a gestora garante foram conseguidas também no setor do gás:

"Aumentamos a produção do Gás em 238%. Hoje Angola produz todo o gás botano que precisa", esclarece Isabel dos Santos acrescentando que o país começou, inclusivamente a exportar gás.

Mas, o grande orgulho de Isabel dos Santos, explica, é o facto de deixarem um novo instrumento, que considera ser essencial na gestão, um financiamento no valor de dois mil milhões de dólares, que se prevê seja assinado nos próximos dias, e que "garantirá o pagamento de todos os cash calls relativos a 2017, permitindo, assim, chegar ao final do ano sem dívidas aos nossos parceiros".

 

O relatório que fala nas lacunas na adminitração de Isabel dos Santos

 

Numa coisa, parece-nos, que estão todos de acordo. Como escreve Isabel dos Santos, a "Sonangol não é uma empresa como as outras; é a coluna vertebral da economia nacional e o garante do futuro dos nossos filhos". Terá sido, talvez, com isso em mente, que o novo presidente angolano criou, em outubro, um grupo de trabalho para analisar a situação petrolífera do país, citado pelo Jornal de Angola, e que traça um perfil bem mais amargo da Sonangol.

No documento, mais uma vez citado pelo órgão de comunicação angolano, fala-se em falta de liderança e de estratégia na petrolífera estatal angolana, o que é prejudicial quando esta deveria assumir "o papel de impulsionadora da indústria petrolífera", e num mau relacionamento entre a Sonangol e as outras empresas do setor, subsidiárias ou empresas fornecedoras. O grupo de trabalho nasceu, aliás, uma semana depois de as petrolíferas internacionais terem defendido, em encontro com João Lourenço, a 6 de outubro, medidas para melhorar a competitividade do setor no país.

Os membros do grupo de trabalho concluíram que a gestão do setor do petóleo em Angola é demasiado burocrática e ineficiente, e responsabilizam a petrolífera estatal por esse desempenho, que prejudica as operações, e leva a perdas enormes de dinheiro.

O Jornal de Angola, escreve ainda que o grupo de trabalho concluiu que há uma "falta de sintonia" entre a petrolífera estatal e o Ministério dos Recursos Minerais e dos Petróleos, o que leva a que não se aposte na prospeção de novos poços de petróleo, ou gás.

 

(Foto: Isabel dos Santos - @dayinthelife)

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