Os últimos dias têm sido de reboliço nas empresas estatais angolanas com o novo chefe de Estado a exonerar grande parte das administrações das companhias do Estado, e principalmente aquelas que são chave para o país.

Endiama e Sonangol foram aquelas com "mexidas" mais importantes. A segunda levou à saída da filha mais velha de José Eduardo dos Santos, Isabel dos Santos, e de grande parte da sua administração.

Dos filhos do ex-chefe de Estado, e depois das demissões nos órgãos de comunicação estatais, rádio e televisão, resta José Filomeno de Sousa dos Santos, presidente do Conselho de Administração do Fundo Soberano de Angola, criado pelo pai, José Eduardo dos Santos. Chegou a ser noticiado, pela imprensa angolana, que o próprio se teria demitido mas o Fundo veio, prontamente, desmentir a notícia, em comunicado publicado na sua página na internet:

"O Fundo Soberano de Angola declara que os referidos rumores são falsos", uma resposta lacónica seguida de defesa do organismo:

"Ao longo dos últimos anos, a equipa do FSDEA dedicou-se e investiu no estabelecimento de uma instituição com uma estrutura de governação sólida e capaz de implementar a política de investimento definida pelo Executivo Angolano. (...) Os resultados do FSDEA em 2016 foram auditados pela Deloitte and Touche, pelo quarto ano consecutivo, e demonstram uma lucratividade de USD 44 milhões, alcançada pela primeira vez desde o início da actividade. A geração de lucros em menos de quatro anos de investimento resulta de decisões de investimento prudentes e de retornos positivos nos ramos da agricultura e infraestrutura. No exercício em questão, o Fundo Soberano de Angola também registou uma diminuição de 40% nas despesas operacionais, em relação ao ano 2015" , lê-se no documento.

O Fundo Soberano de Angola foi uma das entidades incluída nos Paradise Papers. O Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação apresenta documentos que falam, e entre outras coisas, de dinheiro, mais de três milhões de dólares deste fundo, em paraísos fiscais, geridos por uma empresa suíça de um alegado sócio do filho de José Eduardo dos Santos. O organismo negava, a dois de novembro, altura em que a informação foi veiculada, quaisquer transações ilegais:

"Gostaríamos de reiterar que o FSDEA realiza operações de forma legítima e responsável em todas as jurisdições. O FSDEA possui políticas e procedimentos rigorosos para garantir que todas as transações e investimentos realizados na sua carteira atendam aos mais altos padrões regulatórios. Além disso, o FSDEA divulga resultados auditados de forma independente sobere os seus investimentos em private equity e valores mobiliários internacionais. Os resultados auditados mais recentes mostram ganhos líquidos significativos, que foram derivados principalmente de investimentos em private equity. Este é um testemunho da implementação bem sucedida da política do FSDEA, apesar do difícil contexto que a economia angolana tem experienciado desde 2014", adiantava a organização em comunicado.

Relembramos que foram ainda afastados os dois filhos, filha e filho, de José Eduardo dos Santos, através do fim do contrato com a sua empresa, a Semba Comunicação, que geria os canais 2 e internacional da Televisão Pública de Angola.

 

 

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