O VII Congresso Extraordinário do MPLA terminou com novidades mas sem mudanças, de facto no partido que gere os destinos de Angola desde a sua independência. O número de membros do Comité Central foi, amplamente, alargado, rostos novos e jovens juntaram-se às fileiras do núcleo duro do partido. Mas João Lourenço fez questão de acalmar os mais ansiosos, no seu discurso durante o evento, as mudanças não se fazem de um dia para o outro, se um treinador fizesse nove substituições durante um jogo perderia, seguramente a partida, explicou o chefe de Estado.

João Lourenço entrou ao ataque no seu discurso de abertura. Falou da corrupção que mina o país:

"Foi no cumprimento das orientações e directrizes do Partido que o Executivo, desde muito cedo, se preocupou em tomar medidas de combate à corrupção, de combate aos monopólios e à concentração da riqueza nas mãos de poucos, medidas a favor da sã concorrência entre as empresas, de facilitação do visto de turista e da criação do visto especial do investidor estrangeiro", adiantou o presidente angolano.

E lançou ataques, indiretos, para explicar os problemas económicos graves que o país ainda atravessa:

"A dívida pública e, particularmente, a dívida externa atingiram estes níveis tão altos comparado ao que realmente se investiu nas infra-estruturas, porque ela serviu também para financiar o enriquecimento ilícito de uma elite restrita muito bem seleccionada, na base do parentesco, do amiguismo e do compadrio, que constituíram conglomerados empresariais com esses dinheiros públicos.

Com esta situação de injustiça, que precisamos corrigir, por cada dólar que despendemos para realizar o serviço da dívida, o Estado está também a pagar o investimento, dito privado, na banca, na telefonia móvel, nos média, nos diamantes, na joalharia, nas grandes superfícies comerciais, na indústria de materiais de construção e outros, que uns poucos fizeram com dinheiros públicos.

Não é aceitável e não podemos nos conformar com o facto de se ter chegado ao ponto de colocar empresas públicas, com destaque para a SONANGOL, a financiar também alguns desses negócios privados, como se de instituições de crédito se tratassem", rematou o chefe de Estado num discurso sobre o qual fez questão de frisar que não voltaria a falar de corrupção, já o tinha feito antes do início do debate "porque a mensagem já foi, suficientemente, passada”, frisou o chefe de Estado no seu discurso, centrado no “Resgate dos valores".

João Lourenço colocou ainda o acento tónico na importância de colocar o setor privado da economia a funcionar com “todos os apoios necessários para que ele cresça, desenvolva e possa cumprir com a sua responsabilidade de produzir bens e serviços e dar emprego”.  chefe de Estado afirmou acreditar que é com as micro, pequenas e médias empresas que se vai resolver o problema do desemprego, ainda que admita que é necessário apoiar essas estruturas privadas com melhores acessos, água e eletricidade, mesmo que esse trabalho tenha vindo já a ser feito.

Produção, exportações, fomento do emprego, são para Lourenço os desafios que o país tem pela frente.

Durante o congresso, Paulo Pombolo foi eleito novo secretário-geral, com 90,11 por cento dos votos a seu favor.

 

(Foto: @Mplaoficial)

 

 

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