Carlos Nuzman, presidente do Comité Olímpico do Brasil (COB), detido quinta-feira por suspeita de corrupção e branqueamento de capitais, anunciou a sua demissão com o objetivo de dedicar-se à sua defesa:
"Vou defender minha honra e provar minha inocência, diante das autoridades constituídas, nomeadamente perante o Poder Judiciário. Vou defender minha honra e provar minha inocência diante dos desportistas do mundo inteiro. Vou defender minha honra e provar minha inocência diante daqueles que me acusam e de outros que se omitem. Vou defender minha honra e provar minha inocência aos dirigentes do esporte olímpico mundial, inclusive aqueles integrantes do Comitê Olímpico Internacional". A informação é avançada pelo COB, na sua página na internet, onde publica a carta que lhe foi remetida pelo responsável.
Na missiva, pode ler-se que Nuzman se desvincula, também, do cargo de Presidente do Comité Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016:
"Para exercer em sua plenitude o meu direito de defesa, até agora violado, afasto-me, a partir desta data, dos cargos de Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro e de Membro Nato da Assembleia Geral do Comitê Olímpico Brasileiro. Afasto-me, também, do cargo de Presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016".
Carlos Nuzman foi detido quinta-feira, em casa, no Rio de Janeiro, no âmbito da operação designada Unfair Play, mais uma das ramificação da Lava Jato. Na altura deu-se também a prisão de Leonardo Grymer, seu braço-direito e diretor-geral de operações da Rio-2016.
Na sexta-feira o Comité Olímpico Internacional (COI) pronunciava-se sobre a matéria e afastava, provisoriamente Nuzman:
"No que diz respeito ao estatuto de Carlos Nuzman como membro honorário do COI, o EB (Conselho Executivo), e na sequência da recomendação da Comissão de Ética do COI, decide com efeito imediato: Suspender, provisoriamente, Carlos Nuzman de todos os direitos, prerrogativas e funções decorrentes da sua qualidade como membro honorário do COI; e afastar o Sr. Carlos Nuzman da Comissão de Coordenação dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.
Em relação ao Comité Olímpico Brasileiro (COB), o EB afirma que a COB e o seu presidente, Carlos Nuzman, foram responsáveis pela candidatura do Rio de Janeiro em 2009. Portanto, o EB toma a seguinte decisão com efeito imediato: Suspender provisoriamente o Comité Olímpico Brasileiro", lê-se no comunicado do COI.
Esta decisão já levou o COB, sob liderança do seu vice-presidente Paulo Wanderley Teixeira, a convocar, para 11 de outubro, uma Assembleia-geral Extraordinária, para debater e responder à decisão do COI e à carta de Nuzman.
Carlos Nuzman, de 75 anos, está acusado dos crimes de corrupção, branqueamento de capitais e participação em organização criminosa, ele faria parte, de acordo com a polícia, de um "esquema altamente sofisticado e de âmbito internacional”. Segundo os procuradores Nuzman aumentou o seu património em 457%, nos últimos dez anos, e tentou esconder os bens das autoridades, o que fundamentou a sua detenção. Nuzman terá participado num esquema de compra de votos para garantir que o Rio fosse casa dos Jogos Olímpicos em 2016.






