Os brasileiros são chamados às urnas este domingo naquela que é a segunda volta de umas eleições Presidenciais marcadas pela polémica e que podem terminar com uma viragem do país muito mais à direita do que durante a governação de Michel Temer que, recordamos, não foi escolhido, pelos eleitores brasileiros, mas empossado após a destituição de Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores.

Nos últimos dias, e de acordo com as sondagens, e em particular a que saiu ontem, a margem que separa os dois candidatos - Jair Bolsonaro e Fernando Haddad - tem vindo a diminuir. O candidato da extrema-direita chegou a ter uma vantagem de 18 pontos percentuais agora está nos dez, sobre o seu adversário, apoiado por uma coligação liderada pelo Partido dos Trabalhadores, de Lula da Silva.

Um escrutínio marcado pela troca acesa de acusações, sem os dois candidatos em confrontos diretos - depois de Bolsonaro ser apunhalado enquanto fazia campanha eleitoral, este afastou-se do contacto com a população e, de facto, pouco falou do seu projeto governativo, em termos de bases. 

Fernando Haddad, professor universitário, antigo presidente da câmara de São Paulo, perde nesta eleição pela sua ligação, estreita, com Lula da Silva, ainda que tenha tentado sair da sombra do líder histórico do PT. Muitos brasileiros veem nele continuidade e dizem-se cansados dos casos de corrupção nos quais se viu envolvido o Partido dos Trabalhadores. Votam não em Bolsonaro mas contra o PT.

Jair Bolsonaro, cujo programa económico para o país foi desenhado pelo antigo banqueiro Paulo Guedes, aposta na privatização dos principais ativos do Estado. Por diversas vezes se mostrou saudosista em relação à ditadura militar, ele que é coronel mas que teve um percurso conturbado enquanto militar. Outras medidas polémicas que propõe implementar é a de atribuir salários mais elevados aos homens porque as mulheres engravidam. Quer ainda criar um "superministério" da Economia que terá a seu cargo as pastas da Fazenda, Planeamento, Indústria e Comércio, que tutelam a Caixa Economica Federal, o Banco do Brasil e o BNDES. E unir a pasta da Agricultura com a do Meio Ambiente. Propõe-se ainda tratar os movimentos dos sem-terra como terroristas. Bolsonaro quer ainda mudar o "conceito" de Direitos Humanos, no seu programa de governo lê-se: "Redirecionamento da política de direitos humanos, priorizando a defesa das vítimas da violência". No âmbito escolar acabam as aulas de educação sexual. Propõe-se ainda "melhorar a carga tributária brasileira fazendo com que os que pagam muito paguem menos e os que sonegam e burlam, paguem mais".

Fernando Haddad é o intelectual que, por isso mesmo, e num país onde havia em 2017 11,8 milhões de analfabetos, tem dificuldade em fazer passar a sua mensagem às massas. Quem pensava que diria "amen" ao programa de governo do PT, sob os auspícios de Lula da Silva, enganou-se. Fez alterações ao referido programa. A medida mais sonante é a criação de uma linha de crédito, financiada por bancos públicos, com juros acessíveis e prazos vantajosos, com o objetivo de ajudar os brasileiros endividados a recuperarem o "fôlego". Ao contrário do seu adversário quer travar as privatizações, no imediato parar a alienação de activos da Petrobras, que está em curso.

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