A líder do PAICV, a oposição cabo-verdiana, lançou-se em duras críticas contra o governo de Ulisses Coreia e Silva e a proposta de Orçamento de Estado para 2018 que considera ser um documento que reflete "frustração" e que foi "preparado com muita cosmética e acompanhado de uma grande operação de marketing":
"(...) o Orçamento de 2018 não passa de um orçamento de promessas adiadas, de compromissos engavetados, de expectativas defraudadas, de sonhos congelados e de esperanças destruídas", afirmou Janira Hopffer Almada, ao Parlamento cabo verdiano, durante a discussão da proposta de OE para o próximo ano.
A líder da oposição critica o governo por ter prometido levar, "pela primeira vez", o documento à Concertação Social, o que, de facto, não aconteceu, afirmou Janira Almada já que "os Parceiros ficaram apenas pelas suas Linhas Gerais e nem sequer receberam formalmente o documento", afirmou a líder partidária acrescentando que este documento "empobrece o País, e aumenta as desigualdades sociais e as assimetrias regionais":
"O Primeiro-Ministro prometeu aos cabo-verdianos atualização salarial e das pensões, incluindo o Salário Mínimo, anualmente! Este Orçamento não atualiza os salários, não atualiza as pensões, e, muito menos, o salário mínimo. Isto, num ano de seca, com os custos de bens alimentares a dispararem no mercado e os preços dos bens essenciais a aumentarem de forma galopante", adiantou a líder do PAICV.
Para Janira Almada o dinheiro prometido pelo executivo, para fazer face aos problemas causados pela seca, não é suficiente e não resolve o desafio que o país tem pela frente:
"Cabo Verde está a atravessar um período de seca como há muito não se via, em que as esperadas chuvas não chegaram, em que os agricultores vêm as suas sementeiras completamente perdidas, em que os criadores de gado são obrigados a vender os seus animais a “preço de saldo”, em que muitas famílias no mundo rural já não dispõem de recursos para garantirem três refeições por dia, e em que os cabo-verdianos, em geral, são confrontados com o aumento do custo de vida. Bens essenciais já duplicaram de preço!", afirmou Janira Almada. O líder do PAICV critica o governo por não prever neste Orçamento uma atualização de salários ou reforçar os programas sociais de apoio às famílias.
Sobre o setor da Saúde, e as políticas do governo para esta área Janira Almada é também muito crítica:
"Este Sector, que tanto reconhecimento valeu a Cabo Verde nos últimos anos, já registou, nestes 18 meses, um franco retrocesso, com doenças que outrora tinham sido consideradas quase erradicadas, a atingirem a qualificação de epidemia (como foi o recente caso do surto de paludismo). E, num país de Ilhas, não se acautela nem a deslocação de especialistas às Ilhas, nem a evacuação dos doentes, em condições de dignidade, para os Hospitais Centrais", afirmou à Assembleia.
A questão da venda dos transportes aéreos cabo verdianos, a TACV, é outra questão a propósito da qual Janira Almada lançou duras críticas ao executivo que acusa de “entregar de mão beijada":
"(...) não poderíamos deixar de realçar a inexistência clara de uma estratégia para o sector dos Transportes, que está sem rumo, nem direcção, não esquecendo a forma como vem sendo gizada a prometida reestruturação dos TACV, para privatização, que se transformou, da noite para o dia, numa venda intransparente, obscura e com claros laivos de proteção de interesses outros, e que, definitivamente, não protegem nem o país, nem os cabo-verdianos. (...) Nem a sociedade civil, nem os Deputados, nem os Sindicatos, nem os próprios trabalhadores da Empresa, saibam o que se está a passar", afirmou Janira Almada acrescentando que são desconhecidos os custos da operação, da avaliação, ou que garantias foram dadas a Cabo Verde, um país, que por ser um arquipélago, depende do transporte aéreo.
(Foto: @TambarinaPaicv)







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