O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo-Verde, PAIGC, quer saber de onde vêm os fundos que estão a ser utilizados para impulsionar a agricultura, pela fundação "Mon Na Lama".

Domingos Simões Pereira, líder da formação, afirmou, num comício no âmbito das comemoração do 61º aniversário da fundação do PAIGC, em Gabu, que quer respostas do Chefe de Estado, José Mário Vaz sobre a proveniência do dinheiro garantindo que este será responsabilizado, judicialmente, se a mesma não for apurada.

O presidente da formação afirmou ter elementos que o levam a acreditar que o dinheiro que esta a ser utilizado na fundação, de iniciativa do Presidente, foi doado, pela União Económica Monetária Oeste Africana, ao anterior governo, para ajudar num momento crítico de seca no país:

"Na altura fomos informados, pelo Ministro de Agricultura, que a chuva chegaria tarde, de maneira que era preciso ensinar os agricultores para usarem o ciclo curto e resolvemos falar com os nossos irmãos da sub-região, onde a UEMOA disponibilizou um bilião de CFA", esclareceu Simões Pereira.

Durante o seu discurso de 35 minutos perante os dirigentes, militantes e simpatizantes, o líder do partido fundado por Amílcar Cabral, aproveitou para informar aos guineenses que as viaturas oferecidas pelo Rei de Marrocos para os deputados da nação, estão a ser usadas por José Mário Vaz na compra de consciência da população.

Domingos Pereira, que venceu as eleições de 2014 mas foi destituído pelo atual chefe de Estado, lançou duras críticas à atual governação mas também à comunidade internacional:

"Queremos responsabilizar a comunidade internacional, começando pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, Comunidade dos Países da Língua Portuguesa, União Africana, União Europeia e Nações Unidas afim de assumirem as suas responsabilidades, sendo que foram criados para apoiar países a implementarem regimes democráticos", afirmou aos dirigentes, militantes e simpatizantes do partido a que preside.

"Mon na Lama" era, até 15 de setembro, um projeto agrícola do Presidente da República mas ganhou uma nova dimensão e tornou-se numa Fundação. A oficialização desta transformação, com assinatura de escritura pública, aconteceu, com a presença do chefe de Estado, em Calequisse, região de Cacheu, no norte do país.

Segundo os "estatutos" redigidos e assinados pelo Presidente em cartório, o objetivo da fundação recém-criada é:

"Melhorar a produtividade e a qualidade de produção agropecuária; Promover a diversificação da produção e das exportações agropecuárias; Melhorar a resiliência dos agricultores/criadores face aos efeitos de mudanças climáticas".

No documento, publicado pelo Presidente da República no seu perfil da internet, lê-se ainda que a fundação se empenhará, e entre outras coisas, na "promoção da produção de arroz e de outros cereais e ainda no estimulo à pecuária (...) e piscicultura", na "introdução de tecnologias apropriadas de produção (alfaias agrícolas)", promoção de "cooperativas agrícolas", "institucionar banco de crédito rural" e "certificar os produtos da Cooperativa com laboratórios de credibilidade".

 

(Foto: @JOMAVpaginaoficial)

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