Um grupo de mulheres guineenses mostrou-se indignado com a reduzida representação feminina no novo executivo da Guiné-Bissau que acaba de tomar posse.
Em conferência de imprensa, mulheres de diferentes organizações guineenses mostraram-se dececionadas e indignadas com a decisão de colocar, no governo, apenas cinco mulheres, entre os 26 recém nomeados. Dos 18 novos ministros e 8 secretários de Estado há apenas três ministras e duas secretárias de Estado. Criticam ainda o facto do Primeiro-ministro, Aristides Gomes, acumular a pasta da Economia e Finanças, e pedem que seja designada uma mulher para o cargo.
A presidente da Rede da Paz e Segurança das Mulheres no espaço da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), Elisa Pinto, quer que haja uma maior participação das mulheres em cargos públicos, principalmente, governamentais:
"Este governo foi formado por homens que dominam os partidos políticos e escolheram os seus companheiros para o governo. Esqueceram-se das mulheres que estão ao seu lado", afirmou a líder do organismo não-governamental.
Em abril de 2017 as organizações que representam as mulheres guineenses entregavam no Gabinete Integrado da ONU para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau um memorando a apelar a que lhes fosse permitido um maior envolvimento na tomada de decisões com vista à unidade nacional.
Para Elisa Pinto as mulheres guineenses desempenharam um papel importante no perdido de transição até o período eleitoral, entre 2012 e 2014, pelo que merecem uma participação mais ativa na vida política do país:
"Na resolução deste conflito, com toda força e na reconciliação dos desavindos com promoção de espaços de diálogo entre os partidos políticos, as mulheres conversaram com os partidos que estiveram de costas viradas", frisa a presidente da organização guineense.
(Foto: @António Oscar Barbosa)






