Não se registaram incidentes dignos de nota na Guiné-Bissau. As urnas encerraram às seis da tarde, cinco em Lisboa.

A Comissão Nacional de Eleições da Guiné-Bissau anunciou, ao fim da tarde, que tudo decorria normalmente, quer no país quer nos locais da diáspora, e que a votação era massiva, antecipando uma participação positiva do eleitorado. 

As eleições no território são das mais transparentes do mundo, já que tudo se passa na praça pública, sob o olhar atento dos cidadãos, autoridades eleitorais e observadores internacionais. As próprias urnas são transparentes.

A contagem dos votos, colocados em urnas transparentes, já se iniciou, à frente de todos aqueles que se dispõem a seguir o acto. Encerrada a mesma, as actas são afixadas junto às Assembleias de Voto e os dados obtidos transmitidos à CNE.

No entanto, o vencedor das Eleições Presidenciais de hoje só deverá ser anunciado, oficialmente, por aquele órgão, na próxima quinta-feira. Até quarta-feira deverão ser conhecidos os resultados provisórios.

Não obstante, como sucedeu nas últimas eleições, o eleito (ou aqueles que irão disputar a segunda volta), deverá ser conhecido ainda hoje, resultado da recolha que cada um dos partidos e candidatos está a fazer, de forma centralizada, a partir das informações recolhidas pelos seus representantes nas mesas de voto. Esta contagem costuma ser vertida para o público, através das redes-sociais e do boa-a-boca.

Esta consulta foi disputada por doze candidatos, tendo a campanha eleitoral decorrido com normalidade, mas com ataques verbais muito acentuados.

Foram 11 contra um. Todos tiveram como alvo Domingos Simões Pereira, o candidato do PAIGC, partido que venceu as Legislativas de Maio passado, com maioria relativa. Os seus opositores foram movidos pela ideia de que pode ser eleito à primeira volta, e tudo fizeram para que tal não aconteça.

Resta esperar para saber quem vai vencer, se o líder do PAIGC, se Umaro Sissoco Embaló, apoiado pelo MADEM, a segunda força do país, se José Mário Vaz, o actual Presidente da República, e permanente fonte de instabilidade política, ou se nenhum tiver maioria absoluta, quem passa à segunda volta.

O tira-teimas – caso seja necessário – está marcada para finais de Dezembro.

A conflitualidade política, que degenerou na paralisação dos órgãos do Estado, decorreu da exacerbação de egos e não de problemas ou indefinições decorrentes das Leis da Guiné-Bissau, nomeadamente da sua constituição.

José Mário Vaz – após ter perdido, através dos seus mais directos apoiantes, o controlo do PAIGC, no Congresso de Mansoa – elegeu Domingos Simões e o seu ex-partido como seus inimigos principais, obstaculizando a sua governação na anterior Legislatura, e não permitido que, na actual – mesmo depois de ser indicado pela sua força política e aceite pela coligação constituída para formar o Executivo, assumisse a chefia do mesmo.

Nos dois períodos José Mário Vaz quis não só presidir como também governar o país, ao contrário do que manda a constituição.

Mesmo em cima das Eleições, tentou demitir o Governo saído das legislativas e que tem maioria parlamentar e nomear um novo da sua confiança. Só não conseguiu esse intento, fruto do coro de críticas e protesto da comunidade internacional, em particular, e da Comunidade dos Países da África Ocidental, onde a Guiné-Bissau se insere, e sobretudo da ameaça de sanções.

A antiga colónia portuguesa debate-se com grandes problemas que vão da pobreza generalizada à corrupção, passando pelo tráfico de droga que está a tomar conta do país. O território tem funcionado como plataforma giratório do narcotráfico, pela sua vulnerabilidade económica, política e social.

 

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