Dezoito organizações não-governamentais, entre elas a Amnistia Internacional, a Human Rights Watch e os Repórteres Sem Fronteiras, exigem a libertação do cartoonista Ramón Esono Ebalé, crítico do regime da Guiné Equatorial. Em carta aberta a Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, Presidente do país, expressam a sua preocupação:

"Escrevemos para expressar a nossa profunda preocupação em resposta à prisão injusta e posterior detenção sem acusação de Ramón Esono Ebalé, em Malabo, a 16 de setembro de 2017, e pedir-lhe que o liberte, imediatamente", lê-se no extenso documento publicado na internet.

A Amnistia Internacional, através da sua página na internet, escreve que a detenção é arbitrária e viola a lei. O organismo explica, em comunicado, que a lei da Guiné Equatorial diz que um suspeito não pode ficar detido mais de 72 horas sem acusação, Esono está detido há dois meses, e não foi, formalmente, acusado.

A Amnistia Internacional escreve que as autoridades da Guiné Equatorial devem libertar "imediata e incondicionalmente" o cartoonista, detido, a 16 de setembro de 2017 na capital do país, Malabo, por criticar as violações dos direitos humanos no país:

"Ramón é um prisioneiro de consciência que permaneceu preso 60 dias detido apenas pelo seu ativismo pacífico. Ele deve ser libertado imediata e incondicionalmente", escreve a organização.

A acusação diz que testemunhas o acusaram de encabeçar uma organização envolvida em lavagem de dinheiro e contrafacção, acusações que Ramón Esono Ebalé nega, categoricamente.

"No mais recente caso de detenção arbitrária, as autoridades da Guiné Equatorial apresentaram acusações sem fundamento contra Ramón Esono Ebalé, que gozava, simplesmente, do direito à liberdade de expressão através da sua arte", diz Marta Colomer, ativista da Amnistia Internacional para a África Ocidental.

Os advogados do cartoonista apresentaram, a 9 de outubro, um pedido para contra-examinar as testemunhas da acusação, para provar que as testemunhas estão a dar falsos testemunhos, mas temem que as autoridades estejam a atrasar a resposta para mantê-lo na prisão. Se o tribunal não responder até 30 de novembro, o fim do ano judicial na Guiné Equatorial, Ramón pode permanecer na prisão até, pelo menos, 16 de janeiro.

"Ramón usa os seus desenhos para satirizar o governo da Guiné Equatorial e denunciar coisas que ele considera injustas. Ele faz isso através de um humor inteligente, do fundo do coração. As suas ferramentas são as imagens, desenhos, vídeos, ilustrações e animações", explicou à Amnistia Internacional Eloísa Vaello Marco, mulher do cartoonista. O contacto com o marido, desde que este foi preso, só terá acontecido uma vez, durante a audiência no tribunal.

Já a família de sangue de Ramón está autorizada a visitá-lo. À Amnistia Internacional afirmaram que ele está de boa saúde, com pensamento positivo, e autorizado a continuar a desenhar.

A 2 de novembro, a Cartoonists Rights Network International, anunciou que Ramón Esono Ebalé recebeu o Prémio Coragem para Cartoon Editorial 2017. Uma distinção atribuída, anualmente, a cartoonistas que põem o seu trabalho artístico, com grande coragem e auto-sacrifício, ao serviço da liberdade de expressão. 

As organizações que assinam o documento são a Amnesty International, API Madrid, Arterial Network, Association of American Editorial Cartoonists, Baroness Helena Kennedy QC, Member of the House of Lords, President of JUSTICE, Cartoonist Rights Network International, Committee to Protect Journalists, EG Justice, International Federation for Human Rights (FIDH), within the framework of the Observatory for the Protection of Human Rights Defenders, Freemuse, Human Rights Watch, Index on Censorship, PEN International, Reporters Without Borders, The Doughty Street International Media Defense Panel, Transparency International, UNCAC Coalition e a World Organisation Against Torture (OMCT).

 

Um vídeo do cartoonista, de 2014

(Foto: @kellyabelstudio)

 

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