As cartas trocadas entre Amílcar Cabral, o líder histórico da revolução guineense e cabo-verdiana, e a sua primeira mulher Maria Helena Rodrigues transformaram-se em texto para teatro e estarão em cena, entre os próximos dias cinco e oito de julho na Escola de Mulheres, no Clube Estefânia, em Lisboa, a capital portuguesa.
São 60 minutos de peça nos quais se parte das missivas trocadas para a recordação da efemeridade de um homem e uma mulher:
"Parte-se, num processo simultâneo de criação e de memória, das cartas que Amílcar Cabral e Maria Helena, sua primeira mulher, trocaram – inevitavelmente fragmenta-se o espaço, a voz e a caligrafia.
O espólio, que serve de base a esta criação, refere-se às cartas que Maria Helena escreveu a Amílcar Cabral entre 1946 e 1960. Muitas perderam-se nas viagens, na fuga, na luta e no esquecimento. O que surge em cena são as lacunas, os espaços entre o desfoque e a nitidez, o movimento da memória em direção ao corpo.
Ela escreve-lhe: “Eu tinha saudades de uma carta. Eu tenho saudades suas, acabou-se a tinta da caneta e aqui só há desta cor”, lê-se no site do grupo de teatro que traz a cena estas memórias.
Amílcar Lopes Cabral nasceu em Bafatá, na antiga Guiné Portuguesa, a 12 de setembro de 1924. Foi assassinado em Conacri, a 20 de janeiro de 1973, por dois membros do seu partido. Entre outras coisas, Amílcas Cabral foi um engenheiro agrónomo, político e teórico marxista. Fundador do PAIGC, o principal partido da Guiné-Bissau, Amílcar Cabral pode ser considero o "pai" da independência, conjunta, de Cabo Verde, que ocorreu a 5 de julho de 1975, e da Guiné-Bissau, oficialmente declarada a 10 Setembro de 1974.






