A capital portuguesa parou para receber os Campeões da Europa. Milhares de pessoas deslocaram-se ao Aeroporto Humberto Delgado e a todos os locais por aonde passou o autocarro panorâmico que transportou a Selecção de Portugal até ao Palácio de Belém. 

Os jogadores estavam longe de imaginar a recepção que os esperava no regresso a Portugal. E, qualquer descrição é insuficiente, tal a dimensão humana do acolhimento. Física e emocional. Do outro mundo… A fazer lembrar manifestações, nomeadamente políticas, de outros tempos. 

Belém, a primeira paragem 

Na residência oficial do Presidente da República, os jogadores, equipa técnica e restante staff da Federação Portuguesa de Futebol foram homenageados pelo Chefe de Estado. A Marcelo Rebelo de Sousa juntaram-se o Presidente do Parlamento, o Primeiro-ministro, o Ministro da Educação, que tutela a pasta do Desporto, os líderes parlamentares, bem como os dirigentes dos partidos políticos com assento na Assembleia da República. Todos unidos em torno da causa da Selecção. Todos ostentando cachecóis de Campeões da Europa. 

O autocarro da equipa das quinas chegou a Belém escoltado por centenas de "motares" e ovacionado por milhares de portugueses que esperavam os “valorosos guerreiros”, muitos deles desde as primeiras horas da manhã. E, diga-se que a comitiva só chegou ao Palácio Presidencial já os relógios caminhavam para as três da tarde. O Sol e a elevada temperatura não demoveram ninguém. Todos queriam ver e homenagear os bravos de Paris. As bandeiras de Portugal, os cachecóis, esvoaçavam a cada carro que passava, o Hino de Portugal foi cantado vezes sem conta e de cada vez que as câmaras de televisão se viravam para a multidão ela reagia euforicamente. Mas a explosão de alegria acabaria por acontecer quando se pressentiu, pelas movimentações da polícia, que tinha chegado o grande momento. 

Campeões, Campeões gritou a plenos pulmões a multidão ao ver chegar a Selecção que acenava e sorria, do cimo do autocarro panorâmico, onde era possível ler, em letras garrafais, CAMPEÕES. Um momento curto para quem esperava ali, ansioso. 

Talvez por isso, e após entrar na residência oficial do Presidente da República, Cristiano Ronaldo tenha feito questão, antes de tudo, de ir à varanda do jardim cumprimentar os portugueses. 

Seguiu-se um momento longo de espera, enquanto aconteciam as cerimónias protocolares, no espaço exterior do palácio. Um momento acompanhado, por quem estava ali para saudar a selecção, entusiasticamente, ainda que dele chegasse apenas o som e nem sempre em boas condições.

Marcelo Rebelo de Sousa decidiu condecorar a Selecção das Quinas com o grau de comendador da Ordem de Mérito mas, não havendo tempo para cunhar as medalhas, o Presidente entregou os “alvarás das condecorações” aos jogadores e treinadores. Uma distinção “feita de orgulho e gratidão, orgulho por aquilo que fizestes durante mais de um mês por Portugal, gratidão porque o dia de hoje não é igual ao dia de ontem”, como destacou o Presidente. Cada nome, de cada elemento da selecção era recebido com uma enorme ovação. Cristiano Ronaldo teve direito à maior e a cânticos de louvor.

Os corações dos portugueses palpitavam à velocidade de um TGV. Queriam ver, naquela pequena varanda do jardim presidencial, a selecção portuguesa que acabaria por aparecer. Cristiano Ronaldo “agarrado” à Taça, a multidão ao rubro. Um momento de alegria partilhado pelos jogadores, que trocavam a Taça entre si, e a mostravam àquela massa que estava ali por eles, por ela. E ninguém se moveu até a selecção abandonar, da mesma forma que entrou, a residência oficial do chefe de Estado. 

A primeira surpresa aconteceu no aeroporto 

Para trás tinham ficado outros momentos marcantes. A escolta, por dois F16 da Força Aérea Portuguesa, do avião que transportava os Campeões da Europa de Futebol. O avião com os novos heróis de Portugal aterrou já passava das 12h30, no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. 

A caminho da placa, a aeronave passou por debaixo de um arco de água verde e vermelha, as cores principais da Bandeira de Portugal, projectada de dois carros de bombeiros. 

Depois foi o primeiro banho de multidão em terras lusas. Centenas de funcionários esperavam-nos, à saída do avião, para lhes dar os parabéns. 

A festa estava ainda para começar 

No exterior do aeroporto milhares de portugueses aguardavam há horas, muitos tinham ido directamente dos festejos após o jogo para lá. Ninguém queria perder o melhor lugar para homenagear Cristiano Ronaldo e companhia. 

Foi a loucura… O autocarro levou mais de meia hora para chegar à rotunda do relógio, tal o “passo de caracol” a que foi obrigado a seguir por força da multidão compacta que se aglomerava ao longo do trajecto. Muitos aproveitaram para o acompanhar a pé. 

A penúltima paragem 

Mas, os banhos de multidão não se resumiram a estes pontos, nem ao Marquês de Pombal, onde as multidões costumam festejar os feitos desportivos e políticos na capital.

Também aqui milhares receberam os valorosos campeões, no trajecto entre Belém e a Alameda Afonso Henriques. 

Um manto de gente compacta cobria jardim e ruas na Fonte Luminosa, o maior espaço aberto da cidade. Local da festa para os adeptos. Local onde a jogadores e corpo técnico quiseram homenagear os portugueses pelo apoio que manifestaram à Selecção. 

A manifestação foi estratosférica. Com os jogadores e a multidão em delírio. Houve tempo para tudo. Gritou-se, cantou-se, pulou-se, dançou-se. 

"Esta é a vossa vitória, é a vitória dos portugueses, de Portugal” expressou à multidão o seleccionador nacional. Fernando Santo agradeceu ao povo português, “muito obrigado”. 

E o Capitão salientou que esta vitória “é de todos, os que estão em Portugal, emigrantes, os jogadores, treinador, "staff" (…) “vocês merecem, muito obrigado a todos". 

E o microfone foi rodando pelos jogadores para palavras de agradecimento, de alegria e emoção. 

E, cantou-se o Hino de Portugal com as emoções ao rubro.

Nani tomou conta do microfone e dando lugar aos seus dotes de rapper fez pular a multidão. 

E a música continuou ao som da canção do Euro de França, "This One's for You", de David Guetta. E chegou o momento das "selfies" com os milhares de portugueses como pano de fundo. 

Foi um 10 de Julho "do ca…", como disse Éder, o improvável herói da final, um dos jogadores a quem devemos a festa do Orgulho Nacional. 

O dia foi de banhos de multidão e de emoção. 

Já passava das cinco horas quando o autocarro deixou a Alameda rumo à Cidade do Desporto. Pelo caminho não pararam as manifestações de apoio mas o trânsito, esse, encontrava-se fortemente congestionado na A5. Todos queriam ver a Taça e felicitar a selecção. 

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