De acordo com o Fundo Mundial para a Natureza, WWF em inglês, a biodiversidade da Amazónia está a ser ameaçada pela contaminação de mercúrio, resultante "do uso indiscriminado de mercúrio na mineração de ouro em pequena escala, que cresceu dramaticamente na região norte da Amazônia nas duas últimas décadas, especialmente na área de fronteira entre Suriname e Guiana Francesa", escreve a organização não-governamental, na sua página na internet.

A WWF-Brasil e ICMBio realizaram, em 2015, um estudo, só agora publicado, que "avaliou o nível de contaminação por mercúrio em espécies de peixes no interior e entorno do Parque Nacional do Tumucumaque e da Floresta Nacional do Amapá". Os dados são pouco animadores. Em oitenta e um por cento do total de animais amostrados, 187, foram detetados níveis de mercúrio fora do normal. Peixes de 5 das 8 espécies mais consumidas pelos habitantes da região excediam o limite estabelecido pela Organização Mundial de Saúde.
 
Este estudo foi apenas o começo de uma investigação mais alargada: 
 
"Esse foi apenas o início de uma iniciativa de longo prazo que visa avaliar potenciais impactos do mercúrio na biodiversidade local e nas populações ribeirinhas no norte da Amazónia, especialmente no estado do Amapá, incluindo as etnias indígenas locais. O objetivo é contribuir com geração de conhecimento científico que possa balizar políticas públicas e ações coordenadas nos níveis estadual e federal para reduzir os impactos negativos na biodiversidade e na vida das pessoas", esclarece Marcelo Oliveira, especialista de conservação do WWF-Brasil e coordenador do projeto.
 
A investigação será alargada a 9 áreas protegidas, uma área de quase 6,5 milhões de hectares, e terá como objetivo integrar análises ambientais a um diagnóstico amplo da situação de saúde das populações tradicionais dessa região:
 
"Esperamos com esse estudo cooperar com a elaboração de um plano de ação regional participativo para redução dos impactos do mercúrio advindos da atividade garimpeira no estado do Amapá e também subsidiar governos na implementação da Convenção de Minamata", adianta Ricardo Mello.
 
O mercúrio, um metal altamente tóxico, pode provocar, no organismo humano, e em níveis fora dos parâmetros, distúrbios principalmente no sistema nervoso central, nos rins e no sistema cardiovascular.

Quando o mercúrio é queimado, no processo de separação do ouro, pode espalhar-se pela atmosfera. As principais vias de contaminação são a exposição direta, por contacto dérmico e a inalação, nas explorações de ouro, mas também a ingestão de peixes contaminados.

 

(Foto: Renata Fernandes - http://www.agenciaminas.mg.gov.br)

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0 # invenna 03-07-2020 18:03
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