"O prestígio do Brasil com Jair Bolsonaro será igual ao Paraguai do ditador Alfredo Stroessner, Chile de Augusto Pinochet, Nicarágua de Anastasio Somoza, Haiti de Papa Doc" é assim que o Nobel da Paz timorense, prémio que lhe foi atribuído em 1996, começa um longo texto sobre as Presidenciais brasileiras deste domingo. Aquele que já geriu os destinos de Timor-Leste entre 2007 e 2012 serve-se das redes sociais para dizer o que pensa, a um dia das Presidenciais no Brasil:

Ramos Horta defende Lula da Silva e aquilo que considera terem sido conquistas para o Brasil durante o que chama de "a década de Lula":

"Durante a década de Lula, o Brasil do futuro sempre adiado, registou muitas conquistas sociais, para mulheres, negros, mulatos, índios; dezenas de milhões foram libertos de extrema pobreza endêmica; o Brasil ganhou prestígio internacional", lê-se no perfil de Facebook do também antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste.

Ramos Horta lança duras críticas a Eduardo Cunha que considera ser o responsável pela destituição de Dilma Rousseff:

"Mas um dos maiores escroques do Brasil, agora em prisão, o Deputado Federal Eduardo Cunha, Presidente da Câmara de Representantes, orquestrou o impeachment da Presidente Dilma porque ela era uma ameaça para os políticos corruptos do Brasil", considera o também jurista para quem a prisão do antigo chefe de Estado brasileiro é uma forma de perseguição política, e dá como exemplo a chegada de Donald Trump à Presidência dos EUA: 

"E óbvio que o processo contra Lula foi e é perseguição política, visando destronar o Partido dos Trabalhadores do poder pelo que este partido representa para os pobres e negros. Mas é verdade que o PT se corrompeu, decepcionou muitos.

A eleição de Donald Trump nos EUA foi em parte uma reacção dos conservadores a eleição de um negro, Barack Obama. O fenómeno Bolsonaro é reação de uma elite Brasileira conservadora, racista. Donald Trump é uma ameaça para o mundo; abandonou tratados e Instituições internacionais. Dada a dimensão económica do Brasil, Bolsonaro vai ser apenas uma ameaça para o Brasil, desprestigia e enfraquece o Brasil na região e no mundo", lê-se no referido texto.

Mas Ramos Horta vai mais longe:

"Como Ministro de Negócios Estrangeiros e mais tarde Presidente sempre apoiei as aspirações do Brasil para membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Em consciência, eu não apoiaria essas pretensões do Brasil de Bolsonaro. Em Outubro de 2009 durante a reunião da Assembleia Geral do Comitê Olímpico Internacional para a qual fui convidado como Orador fiz campanha activa pela candidatura do Rio para os Jogos Olímpicos de 2016".

Também este sábado o antigo presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, que chegou a ponderar candidatar-se à Presidência da República brasileira pelo PSB, declarou o seu apoio a Haddad através do Twitter:

 

 

Os brasileiros vão a votos este domingo naquela que é a segunda volta das eleições Presidenciais e à qual concorrem Jair Bolsonaro, candidato do PSL, considerado da extrema-direita, pelas posições que defende, e Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores, o professor universitário que ocupa o lugar deixado vazio por Lula da Silva impedido, pela Justiça, de se candidatar. Lula está detido em Curitiba desde abril deste ano por, e entre outras coisas, corrupção, no âmbito do processo Lava Jato. Bolsonaro está melhor posicionado para vencer, de acordo com todas as sondagens mais recentes tem uma vantagem confortável, ainda assim uma parte substantiva da população brasileira admite que não vota pelo candidato do PSL, que mudou de partido oito vezes, mas contra o PT.

Bolsonaro não é um homem de consensos mas de polémicas e sem papas na língua. Da sua boca saíram frases como: "Sou a favor, sim, a uma ditadura, a um regime de exceção", em 1999 no plenário da Câmara do Rio de Janeiro; ou "Jamais ia estuprar você porque você não merece", afirmou à deputada Maria do Rosário (PT-RS), em 2003; ou "Ele deveria comer capim ali fora para manter as suas origens”, comentou, em 2008, sobre um indígena; já a Dilma Rousseff disse: "pare de mentir. Se gosta de homossexual, assume. Se o teu negócio é amor com homossexual, assuma", em 2011. 

 

(Foto: @officialramoshorta)

 

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